minha mãe voltou de viagem e deveria estar feliz, certo? certo! mas não tô. não sei como explicar isso, mas tentarei. mas antes. eu preciso contextualizar:
em meados de setembro desse ano, minha mãe fez uma viagem para o Pará (somos paraenses e moramos no RJ) para agilizar algumas questões
burocráticas, passear e visitar os familiares. por que está nos nossos planos
nos mudar de volta para lá, em breve.
esse desejo de retornar à terrinha já era algo antigo, desde antes do falecimento do meu pai,
em 2013. na época já estávamos com meio caminho andando para o retorno, quase
tudo certo. quando em outubro de 2013 meu pai veio a falecer. tivemos de
recalcular a rota e permanecer aqui até as questões judiciais (inventário)
serem resolvidas. com isso, esse desejo ficou em segundo plano e seguimos a
vida. mas com o advento da covid, essa vontade de voltar pra casa ressurgiu, e
ressurgiu com muito mais força e intensidade em mim. ganhou gás no início do ano quando eu vi algumas pessoas
partirem e deixando saudades em quem ficou. isso reanimou aquele desejo
reprimido de voltar para casa, e desde então. estou me reorganizando para o tão
sonhado retorno.
confesso que não está sendo fácil. existem muito pormenores
para serem resolvidos e que no curto espaço de tempo não sei se serão. mas apesar
de todo meu entusiasmo e minha fé inabalável de que tudo dará certo, eu sinto
que minha mãe está receosa com alguma coisa, é como se ela quisesse e não
quisesse ir ao mesmo tempo. mas apesar disso, eu não esmoreço e permaneço firme
na minha decisão de voltar. meu terapeuta me disse que essa ida dela para Belém
talvez tenha ajudado a ela a se enxergar de volta lá, com a família e com os
amigos. mas não sei se ajudou muito, ela voltou dessa viagem com algumas
incertezas que me deixaram bem balançado. sempre colocando empecilho nas
coisas, como se não quisesse que elas acontecessem. justificando que uma
mudança não é algo fácil e pipipipópópó.
eu sei que não é algo fácil. eu sei que estou sendo mega intransigente e que
não estou aceitando os argumentos dela e que é ela quem tá no comando desse
navio e que deve ser complicado lidar com tudo – quase – sozinha. mas pra mim, isso se trata de algo
muito mais além do que uma “simples mudança” se trata de resgatar algo que eu
tinha perdido. às minhas raízes. aqui eu vejo um quê de egoísmo meu, de querer
que tudo se resolva pra ontem. eu admito isso. mas é que pra mim não dá mais, eu
cheguei no meu limite. eu abri tantas concepções ao longo desses anos todos que
eu acabei me deixando de lado em prol de algo que não me beneficiava em nada. agora
eu preciso pensar em mim, na minha saúde mental e na minha felicidade. pra mim
estar feliz é voltar pra casa, é estar com os meus. e essa pandemia veio pra me
mostrar que eu precisava mudar isso antes que algo pior aconteça comigo.

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